Antes de começar a contar um pouco do meu percurso rumo à Itália, gostaria de me apresentar. Meu nome é Carlos Alberto Rizzotti, nasci em 1963 em Jundiaí, em uma família que, como tantas outras no Brasil, formou-se a partir da união de descendentes de imigrantes de origens diferentes: meu pai era filho de italianos e minha mãe, de espanhóis. Quando criança, costumávamos visitar os parentes paternos que ainda moravam no sítio onde a família se instalara pouco depois da chegar ao Brasil, na última década do século XIX. Tenho boas lembranças daquele período. As discussões calorosas à mesa, meu tio ao lado do fogão a lenha esperando a polenta ficar pronta sobre a chapa de ferro, o pomar e as videiras ao redor das quais toda a família se reunia para a colheita foram coisas que se instalaram muito profundamente na memória daquele menino que eu fui e que, naqueles tempos inocentes, não era capaz de avaliar o quanto aquelas lembranças seriam determinantes para as escolhas que iria fazer no futuro. Cresci e me tornei adulto em um bairro modesto e muito característico, onde quase todas as famílias eram muito semelhantes à minha. Em 1994 dei entrada no meu processo de reconhecimento da cidadania italiana no Vice-Consulado da minha cidade e seis meses depois consegui o meu passaporte italiano. Sempre tive vontade de conhecer o mundo, ampliar os meus horizontes, conhecer novas culturas, modos de vida, alternativas. Fiz várias experiências e tentativas no sentido de desenvolver um modo de vida que me permitisse ter uma visão das coisas que não se limitasse aos padrões habituais. Passei por algumas dificuldades, morei e trabalhei no exterior, voltei à terra natal e finalmente acabei tendo que encontrar um modo de me adequar às exigências de uma vida mais sedentária. Transferi-me para o Litoral Norte Paulista e criei o meu próprio negócio. Em sociedade com a minha esposa, desenvolvemos uma linha de objetos de decoração e iluminação que foi muito bem aceita e começamos a crescer. Construímos a nossa casa onde também instalamos a nossa pequena empresa. Embora as coisas andassem bem, a ideia de morar no exterior nunca me abandonava completamente. Ter um passaporte italiano na gaveta é algo que me instigava a viver outras experiências. Quando minha filha completou quinze anos pensei seriamente no assunto. Eu queria que ela tivesse a oportunidade de ver o mundo de outro ângulo para poder entender melhor as próprias origens, a cultura na qual cresceu e conseguir ter mais clareza sobre o que fazer no futuro. Eu já havia morado fora do Brasil e sabia das dificuldades que um estrangeiro deve enfrentar em uma terra estranha. Hoje, há quase dez anos do momento em que tomamos a decisão de vender tudo e vir morar na Itália, posso avaliar melhor tudo o que passamos e não me canso de olhar com admiração para a minha família por toda a coragem que cada um demostrou nos momentos difíceis, que não foram poucos. Todos nós aprendemos muito com essa mudança, que começou como uma aventura e que agora é a nossa realidade. Minha esposa encontrou uma nova profissão e trabalha regularmente como tradutora. Minha filha mergulhou nos estudos com uma vontade redobrada e atualmente está cursando medicina em uma prestigiosa faculdade pública italiana. Eu fiz um percurso que me permitiu conhecer em profundidade o mundo do trabalho aqui na Itália, suas lutas de classe e seus problemas, até o momento em que me senti preparado para empreender novamente e decidi começar a usar a minha bagagem de experiências no sentido de orientar pessoas que, como eu, querem fazer com que as suas origens sejam reconhecidas e permitam abrir portas a uma infinidade de novas possibilidades para si e para seus filhos. Consigo reconhecer em cada pessoa que me procura um pouco de mim mesmo e sei quanto os primeiros passos são importantes para mudar a própria vida. Quando caminho tranquilamente pela bela paisagem italiana da região onde moro, sou grato por tudo o que recebi de bom nesses últimos anos e se fecho os olhos em um dia frio no qual o ar fica impregnado com o cheiro de fumaça que sai das lareiras, ainda sinto o aroma do fogão a lenha ao lado do qual eu me sentava na minha infância e reconheço que acabei fazendo a coisa certa.
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